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Empreendedores devem ter um propósito maior além de vender, considera Luiza Helena Trajano

Por Redação
Empreendedores devem ter um propósito maior além de vender, considera Luiza Helena Trajano
Presidente do Conselho Administrativo da Magazine Luiza, ela declara que é necessário enfrentar os problemas de frente para buscar soluções a estes. (Foto: Divulgação)

Reconhecida como a líder de negócios que tem a melhor reputação no Brasil, a presidente do Conselho Administrativo da Magazine Luiza e do Grupo Mulheres do Brasil, Luiza Helena Trajano, destacou, em uma live com a publisher do Site MT, Márcia Travessoni, nesta quarta-feira (22), que, na retomada econômica, os empreendedores deverão ter um compromisso com o país, bem como um propósito maior que vai além de vender produtos e/ou serviços, uma vez que os consumidores estarão mais atentos na escolha das lojas onde farão compras.

Declarando ser otimista, mesmo diante à pandemia, Luiza Helena considera que é necessário enfrentar os problemas de frente para buscar soluções a estes. Adotar uma gestão humanizada, bem como ter “os pés no chão”, avalia, fazem a diferença no negócio. “Sou pessoa física, até na empresa. Lutei muito para não ser pessoa jurídica. Tive muita intuição, e isso me ajudou muito, para não mudar a minha essência”, pontua.

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Como planejar as vendas online durante a quarentena

Para ela, focar na digitalização dos processos efetuados nas instituições e a valorizar a mão de obra local são estratégias que têm que ser adotadas pelas empresas do Brasil, que, de acordo com a empresária, tem um grande potencial de mercado. Evidenciando preocupação com o comunitário, Luiza Helena afirma que um bom negócio é aquele que se importa em gerar empregos, não só com o faturamento.

A Magazine Luiza, diz, estava vivendo uma boa fase antes da pandemia, com capital de giro e investindo cada vez mais no digital e, por esses motivos, quando houve a crise sanitária e econômica, a rede varejista garantiu que não promoveria demissões. Findar contratos em meio à pandemia, acredita, seria “um tiro no pé”, uma vez que “um país em desenvolvimento vive da renda e de crédito, e, se não demitir, a companhia ajudará o mercado como um todo”.

Geração de emprego

“Eu não sofro por antecipação, porque todos os quadros mostravam que precisaríamos tomar algumas medidas drásticas. O segmento de roupas e sapatos sofreu muito, assim como os shoppings, e eu questionei as autoridades, por causa da justiça mesmo. Não só não demitimos como já contratamos 300 pessoas aqui em Franca, São Paulo”, destaca.

Relembrando que sempre foi apaixonada pelas pequenas e médias empresas e que as apoia, Luiza Helena contou que, nos anos 1980, iniciou em palestras no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), instituição que, assegura, tem um acervo como nenhuma outra, já que orienta os empreendedores que estão começando. “Eu também já fui pequena e média. Sei as dores de quem não tem fluxo de caixa, de não ter dinheiro. Minha família começou a empresa para gerar emprego, não para ficar milionário, e nós amamos isso”.

Tecnologia

Hoje em dia, garante, para ter sucesso, as empresas não podem mais pensar como antes, e devem buscar interação com os consumidores. Todas, realça, precisam estar determinadas a lidar com tecnologia, tanto agora, durante a pandemia – quando as atividades presenciais, em razão do distanciamento social imposto pelas autoridades, foram suspensas – quanto após.

“Fui criada com cabeça de solução. Sempre me senti protagonista, graças à minha educação. Nunca fiquei esperando as coisas chegarem para mim, sempre questionei as injustiças sociais. Sempre fui uma pessoa que buscou, que nunca esperou as que as coisas chegassem. Eu me treinei para estar inteira para estar em cada momento, e isso me ajuda muito. Não tenho o compromisso de ser perfeita, mas sempre dou o meu melhor“, assegura.

Publisher do Site MT, Márcia Travessoni, durante a live com Lucia Helena Trajano. (Foto: Fernando Travessoni)

Vida pessoal

Cumprindo isolamento social, Luiza Helena conta que todos os dias vê jornais e novelas, e que fala com amigos via celular sempre que pode, tendo recebido deles lembranças e presentes durante a quarentena. “Deu para entender bem o que as pessoas estão sentindo. Sou uma pessoa muito verdadeira, não tenho medo de assumir os meus sentimentos. Mas nunca tinha ficado paralisada, essa é a realidade. Por outro lado, entendi que eu tinha que buscar o meu papel e saí fazendo. Algumas pessoas me ajudam, e eu conheci muita gente”.

Mulheres do Brasil

Luiza Helena convida a todos para conhecer o Grupo Mulheres do Brasil, que visa engajar a sociedade civil na conquista de melhorias para o país em diversos âmbitos. Atualmente, reforça, o movimento feminino político suprapartidário quer conversar com o Governo Federal para indicar mudanças no Sistema Único de Saúde (SUS), que, segundo a empresária, é um dos pilares da desigualdade social.

“O SUS é maravilhoso, porém necessita de uma governança igual às empresas para poder funcionar, e é para isso que nós vamos lutar. Eu sou política, não sou partidarista, nem vou sair candidata. Apoiaremos a mulher na política, independente do partido“, observa Luiza Helena. Confira o bate-papo com Luiza Helena na íntegra no Instagram de Márcia Travessoni.

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