Empresários querem negociar impostos para driblar crise, diz pesquisa da Fecomércio/CE

Por Redação
Empresários querem negociar impostos para driblar crise, diz pesquisa da Fecomércio/CE
Empresários de todos os setores produtivos buscam alternativas para lidar com o fechamento temporário dos negócios imposto pelo período de isolamento para combater o novo coronavírus. (Foto: iStock)

A negociação de todos os impostos é a alternativa apontada por 61% dos empresários cearenses para lidar com o fechamento total e/ou parcial das empresas no período de isolamento para enfrentar o novo coronavírus no Ceará. O dado é da pesquisa realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Ceará (Fecomércio/CE), divulgada neste sábado, com as avaliações do empresariado cearense acerca dos impactos das medidas de contenção na economia do Estado.

Ainda segundo o levantamento, que foi realizado online, 57,7% dos empresários sugerem, como alternativa ao fechamento dos estabelecimentos, que o estado dê assistência financeira aos profissionais autônomos e outros que precisem; 49% pedem flexibilização de garantias para tomada de empréstimos junto aos bancos; e 47,2% sugerem, para esse período de crise, a suspensão temporária do contrato de trabalho, cabendo ao estado a responsabilidade de um seguro desemprego por tempo determinado.

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Funcionamento

Sobre a reabertura dos estabelecimentos, 36,8% dos empresários defendeu o horário de funcionamento reduzido. Quanto à demanda, 68,5% dos respondentes acreditam que terão clientes caso reabram seus negócios; enquanto 31,5% acham que não terão. A normalização do fluxo de clientes só acontecerá no longo prazo para 41,5% dos empresários; e 37% dos entrevistados defendem que a demanda será parcialmente estabelecida a curto prazo, de forma a suprir o caixa. Já 11,7% se mostrou otimista e acredita que a demanda de clientes será totalmente restabelecida no curto prazo.

Ainda segundo a pesquisa, 61,8% do empresariado defende a reabertura dos estabelecimentos comerciais, que estão fechados desde o dia 19 de março, quando o governador Camilo Santana assinou decreto estabelecimento a suspensão das atividades por 10 dias.

Dentre os empresários que responderam ao questionário, 89% avalia que que o fechamento acarreta sérios impactos financeiros para as empresas e para a economia; 89% admitem que pode interferir na capacidade de pagar a folha de salário; 63,9% avaliam dificuldades no pagamento de fornecedores; 46,8% estimam restrições para pagar impostos; e 31,1% apontam dificuldades no pagamento de empréstimos e financiamentos.

Reabertura gradual

A pesquisa foi realizada para nortear o diálogo dos setores produtivos com o governador Camilo Santana, explicou o presidente da Fecomércio/CE, Maurício Filizola. Na sexta-feira (26), representantes do comércio, indústria, agropecuária e transportes se reuniram com o governador para apresentar as demandas mais urgentes.

“(O ideal) é que haja uma recuperação da abertura e que isso possa ser organizado de forma que tenha a participação do número reduzido de colaboradores e possa ser aberto em horários mais curtos, e a gente vai sentindo esse mercado. Essa foi a reivindicação principal de todos os sindicatos”, argumentou Filizola.

Expectativas em baixa

Presidente da Fecomércio/CE, Maurício Filizola apresentou as demandas do setor em reunião com Camilo Santana. (Foto: Site MT)

O cenário negativo para o crescimento econômico predominou entre os entrevistados pela pesquisa, uma vez que 42,8% apontou expectativas ruins, seguidos de 42,1% que não têm nenhuma expectativa de crescimento.

A pesquisa online da Fecomércio/CE foi realizada nos dias 26 e 27 de março deste ano e entrevistou cerca de 2.774 empresários do setor agropecuário, indústria, comércio, serviços e turismo.

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