Estudo da UFC expõe a dificuldade no acesso ao tratamento ideal para câncer de medula

Por Redação
Estudo da UFC expõe a dificuldade no acesso ao tratamento ideal para câncer de medula
Professor Fernando Duarte realizou o estudo com outros 17 pesquisadores, de outros países. Juntos, viram que pacientes têm que lidar com a pobreza e a falta de medicamentos essenciais, pois há escassez nos sistemas públicos de saúde. (Foto: Divulgação)

Receber um diagnóstico de câncer de medula óssea não é fácil. A situação torna-se ainda mais preocupante quando pacientes de sistemas públicos de saúde não conseguem acesso ao tratamento ideal devido à escassez na oferta de medicamentos. Com isso, a sobrevida destes é menor. É o que apontam em estudo o professor Fernando Duarte, da Universidade Federal do Ceará (UFC) e 17 pesquisadores estrangeiros. O artigo, que já havia sido premiado, foi um dos mais acessados na British Journal of Haematology, revista científica referência internacional em hematologia.

O estudo foi premiado como Top Downloaded Paper 2018-2019 e, diz Fernando Duarte, é inédito e mostra um retrato da América Latina comparado aos dos países de ‘Primeiro Mundo’. Ele afirma que há uma importância social, política, econômica, uma vez que fala das condições financeiras das pessoas que vivem a realidade de procurar um tratamento ideal para a doença.

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A pesquisa investigou prontuários médicos de 1.103 pacientes com idade média de 61 anos (média alta, ele explica) e mostrou aumento da sobrevida de pacientes tratados com determinadas drogas no período de pré-transplante de medula óssea. “Existe uma diferença no acesso ao tratamento ideal, o que interfere na sobrevida. Há pessoas que não fazem o tratamento porque o remédio não tem no SUS [Sistema Único de Saúde]. É o que acontece”, lamenta o docente.

De acordo com o pesquisador, os pacientes inseridos nesse contexto lidam com questões consideradas preocupantes: o câncer de medula óssea, a pobreza e a falta de acesso a um tratamento ideal dos sistemas públicos de saúde. O fato, considera, se agrava ainda mais no cenário atual que o mundo vive, quando milhões de pessoas enfrentam a pandemia do novo coronavírus, o que, avalia, dificulta ainda mais o processo.

Impacto

“O artigo discute aspectos de diagnóstico no Mieloma múltiplo, mas principalmente a dificuldade do acesso dos pacientes da rede pública ao tratamento ideal, o que causa grande impacto na resposta ao mesmo e na sua sobrevida”, pontua o chefe da Unidade de Onco-Hematologia do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC).

Embora o contexto da América Latina como um todo ascenda um alerta de que é preciso fazer algo para mudar a realidade encontrada pelos pesquisadores, ele diz estar muito satisfeito com o funcionamento do serviço de hematologia e transplante de medula óssea do HUWC nesta pandemia, “A despeito de todas as dificuldades, conseguimos continuar com um atendimento adequado para os pacientes”, afirma.

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