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Fim do auxílio emergencial impacta confiança do empresário cearense

Por Jéssica Colaço
Fim do auxílio emergencial impacta confiança do empresário cearense
Pagamento do recurso federal deve ser encerrado em dezembro deste ano e trazer impactos para a economia cearense. (Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil)

Ainda que tenha demonstrado otimismo no mês de outubro, o empresário industrial cearense, especialmente dos negócios de grande porte, está com expectativas cautelosas para o futuro devido ao fim do auxílio emergencial. A análise é do economista e pesquisador David Guimarães, do Observatório da Indústria, entidade da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).

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Segundo o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), elaborado pelo Observatório, as Expectativas estaduais para os próximos seis meses registraram queda de 2,1 pontos em outubro, marcando 65,9 pontos. “Nas pequenas empresas, caiu porque as políticas de crédito não conseguiram atender todos; enquanto nas grandes empresas, a queda do otimismo é por conta da preocupação com o fim do auxílio emergencial nos próximos meses”, avaliou David.

O ICEI é composto por dois índices: o de Expectativa, que registrou queda; e o de Condições Atuais, que cresceu 1,6 pontos em outubro, marcando 55,7 pontos. Com isso, a confiança do industrial cearense ficou em 62,5 pontos em outubro, que é 0,7 pontos menor do que o mês anterior, mas acima da média nacional, estabelecida em 61,8 pontos.

O fim do pagamento do auxílio emergencial, previsto para dezembro de 2020, deve impactar a renda das famílias e consequentemente, o nível de consumo, tendo reflexos diretos na indústria.

Redução das desigualdades

Além da relação com a confiança dos industriais, o auxílio emergencial pode ter contribuído, na análise do pesquisador, para uma redução, ainda que temporária, da desigualdade financeira em estados menos desenvolvidos do país. “Tem um estudo chancelado pelo Ministério da Cidadania mostrando que o Ceará foi o quinto estado do país em que o volume de recursos enviado com o auxílio emergencial foi maior do que o PIB (Produto Interno Bruto) nominal“, argumenta David.

Essa distribuição de renda, segundo ele, impacta no consumo das pessoas, que estão menos incertas quanto ao futuro e movimentam a economia local. “Após julho [quando iniciou a flexibilização do isolamento social rígido], o resultado da nossa produção está superando os mesmos meses do ano anterior”, evidencia o pesquisador, mostrando como o recurso federal tem sido importante no equilíbrio da economia cearense.

E mesmo com o fim do auxílio, completa, a manutenção do consumo pode gerar aumento na escala de produção e tornar o estado mais competitivo. “Mas isso é um cenário incerto, porque o industrial pode ter dificuldade para encontrar consumidor para os produtos, por exemplo”, pondera.

Perpectivas

Mesmo com os impactos positivos da estrutura industrial cearense e do auxílio emergencial na economia local, a avaliação geral de David Guimarães é de que o crescimento acima do esperado não será suficiente para fechar o ano com dados positivos e superar as perdas da pandemia. “No próximo ano, vamos precisar buscar outros motores de investimento para incentivar a continuidade deste otimismo”, sugere.

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