Médicos estimulam o uso de máscaras de tecido para conter coronavírus

Por Jacqueline Nóbrega
Médicos estimulam o uso de máscaras de tecido para conter coronavírus
A máscara de tecido é para ser usada individualmente e pode ser lavada após o uso Foto: iStock

O Ministério da Saúde divulgou, quinta-feira (2), uma manual que indica como a população pode fazer máscaras de tecido reforçando que o item é um grande aliado no combate à propagação do coronavírus no Brasil. No Ceará, médicos também encabeçam uma campanha para que a população use o acessório de tecido quando precisarem sair de casa para necessidades básicas, como idas ao supermercado ou à farmácia, por exemplo.

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“Alguns países como Áustria e República Tcheca já estão orientando o uso compulsório. Uma vez que a pessoa saia de casa, tendo ou não sintomas, já deve usar a máscara para se proteger e dar proteção ao resto dos cidadãos. Usar a máscara de tecido é uma forma a mais da gente tentar nos proteger. Mal não faz. Ela deve ser utilizada com todos os critérios, juntamente com as medidas de higiene, como lavar as mãos com água e sabão e o uso de álcool gel, para evitar a propagação do vírus”, disse o médico Sérgio Tadeu, presidente da Sociedade Cearense de Otorrinolaringologia.

Dr. Sérgio Tadeu é presidente da Sociedade Cearense de Otorrinolaringologia Foto: Arquivo pessoal

Ferramenta aliada

André Alencar, médico otorrinolaringologista e cirurgião de cabeça e pescoço, também encoraja o uso de máscaras de tecido, o que, enfatiza ele, não anula a necessidade do isolamento social. “O uso das máscaras de tecido é para diminuir a exposição à carga viral. A carga viral é como se fosse a quantidade de um tipo de aerossol com gotículas de saliva que vem para o seu rosto no momento que uma pessoa tosse, espirra ou até mesmo fala. Se a pessoa usa uma máscara grossa, ela tem uma anteparo que protege. Com o tempo a máscara vai ficando molhada e essa capacidade vai ficando perdida, por isso a recomendação é que a cada 4 horas se troque a máscara”, reforça, indicando o brim como um bom material para a confecção do item.

Dr. André Alencar é médico otorrinolaringologista e cirurgião de cabeça e pescoço Foto: Arquivo pessoal

O médico é didático ao explicar que em uma situação de normalidade as máscaras descartáveis hospitalares, como a tão falada N95, são as ideais, mas em meio a pandemia houve a escassez e o superfaturamento do produto. “A maioria desses insumos hospitalares curiosamente eram fabricados em Wuhan, na China, e como essa região ficou parada, já que foi o primeiro local do surto, acabou desabastecendo o mundo inteiro”, diz. “As máscaras de pano são para uso de profissionais não médicos”, frisa diversas vezes sobre o grande objetivo da campanha que defende.

Mobilização coletiva

Em Fortaleza, o prefeito Roberto Cláudio anunciou que cooperativas têxteis e costureiras individuais devem produzir 2,5 milhões de máscaras artesanais com o apoio da Prefeitura.

O material será encaminhado a serviços ambulatoriais, postos de saúde, Centros de Atenção Psicossocial (Caps), como também para a Guarda Municipal, Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC), assistentes sociais e conselheiros tutelares.  O edital para o cadastro dos produtores deve ser lançado até o dia 15 de abril. 

A Santana Textiles irá confeccionar 100 mil máscaras de barreira mecânica lavável com tecido plano e começa, na segunda-feira (6), a distribuir para entidades pré-determinadas. Já a Água de Coco, comandada pela família Thomaz, se comprometeu em produzir 10 mil máscaras para doação. 

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) Ceará também se mobilizou para realizar a doação de materiais, que vão ser utilizados para a confecção de 11 mil máscaras de TNT que estão em falta nos presídios cearenses. 


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