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‘Brasileiro vai consumir mais as marcas locais’, aposta Alice Ferraz sobre momento pós-pandemia

Por Jacqueline Nóbrega
‘Brasileiro vai consumir mais as marcas locais’, aposta Alice Ferraz sobre momento pós-pandemia
Há mais de 20 anos no ramo da moda, Alice falou sobre se reinventar e os impactos da pandemia no segmento Fotos: Reprodução/Instagram

Alice Ferraz, fundadora e CEO da plataforma de influenciadores digitais de moda e lifestyle F*hits, conversou com a publisher do Site MT, Márcia Travessoni, quinta-feira (16), sobre o momento que o mundo está vivendo. Desde o início do isolamento social, essa foi a primeira vez que a empresária participou de uma live, que fez parte da ação #MinhaCasaExperience, com apoio do Hospital Gênesis.

De quarentena em sua casa de praia, no litoral paulista, acompanhada do marido, ela disse que o perfil de um novo consumidor, cada vez mais consciente, nasce durante a pandemia. “Óbvio que a gente vai continuar comprando, mas a consciência não vai retroceder. O grau de consciência que nós criamos agora, olhando o mundo, vendo como nós somos dependente de todos… Eu acho que esse tipo de consciência vai fazer com que nasça um novo consumidor”.

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Márcia Travessoni relata experiência de isolamento em meio à natureza

E é por isso que Alice aposta no crescimento das marcas nacionais. “O brasileiro vai consumir mais marcas brasileiras. O que é único, que é mais precioso e também mais caro, vai ser mais apreciado. Acredito que terá um aumento para as marcas que têm um DNA”, disse ela, citando a cearense Catarina Mina, que foi, inclusive, tema da coluna semanal que ela assina, aos domingos, no Estadão.

Alice também alertou que as marcas, incluindo as de moda, devem criar uma plataforma de conversa para estar em contato com os clientes durante a pandemia mundial. “As marcas que não fizeram isso perderam uma oportunidade de criar um vínculo emocional, afetivo. Acho que a gente como sociedade deu um passo na empatia, de olhar o outro. Com os negócios é a mesma coisa. As marcas têm que olhar para o consumidor dela, que sempre esteve ali, para mostrar que tá junto. Moda não é fútil, ela reflete o comportamento de uma época“.

Reinvenção

Quando o isolamento social iniciou em São Paulo, a CEO relatou que estava na véspera do QG F*hits, evento que promove em um shopping paulista e reúne marcas e influenciadores para momentos como lançamentos, desfiles e bate-papos.

Ela teve poucos dias para reinventar o modelo do QG, e decidiu, então, apostar em desfiles digitais. Tudo realizado pelo fotógrafo e diretor de cinema Jacques Dequeker e a esposa dele, Juliana Dequeker, que atuou modelo, maquiadora e cabeleireira, diretamente da casa da dupla. Assim aconteceram desfiles de marcas como Vicenza e Andreza Chagas.

A CEO da F*hits passa a quarentena em casa no litoral paulista

“Foi um desafio muito grande olhar para tudo aquilo e pensar como contribuir para que as marcas tivessem um espaço e não fosse tudo por água abaixo. Primeiro você se apavora, mas depois criamos a estratégia dos desfiles digitais e a audiência explodiu. As pessoas realmente estão online. Pelo menos a gente tá se reinventando, repensando e produzindo conteúdo“.

Calendário de moda

Com as semanas de moda canceladas no primeiro semestre, a exemplo do São Paulo Fashion Week, Alice prefere não arriscar sugerir o que vai acontecer na segunda metade do ano. “Estou em contato com pessoas que tão ali no centro das capitais da moda, que fazem a gente seguir esse calendário, e elas estão vivendo um dia depois do outro. Acho impossível dizer o que vai acontecer, mas setembro tá logo ali. A gente tem que pensar que mesmo que as semanas de moda aconteçam, não vai ter o tamanho que tinha. Pode ser menor, mas tem que ser muito mais amplificado digitalmente, e aí o papel das mídias sociais é fundamental”, avalia.

A CEO também aposta que precisa existir uma transformação na forma do influenciadores criarem conteúdo para suas redes sociais. “Acho que é o momento de mostrar um conteúdo seu. Independente da sua voz, ter um repertório vai ser cada mais importante. Não é só o vínculo afetivo da influenciadora com a sua audiência, mas é o que você tá trazendo para ela”, disse Alice, citando o exemplo de Helena Lunardelli, que ousou a posar para uma editorial via FaceTime para as lentes do fotógrafo Hygor Blanco.

Por fim, ela ainda falou de sua nova experiência, a revista Moda, em parceria com o Estadão, que tem como proposta ser phygital, ou seja, a mistura do físico e digital.

Assista na íntegra:

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