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Catarina Mina lança coleção de renda de bilro em parceria com artesãs de Trairi

Por Redação
Catarina Mina lança coleção de renda de bilro em parceria com artesãs de Trairi
Diretora criativa da Catarina Mina, Celina Hissa, em Trairi. (Foto: Divulgação)

A marca fortalezense conhecida por trabalhar o consumo consciente e a econômica sustentável Catarina Mina, em parceria com mais cem artesãs da região do Trairi, que fazem parte do projeto Olê Rendeiras, lançaram no último domingo (4), nas plataformas digitais, uma coleção de roupas de renda de bilro desenvolvidas ao longo de 2020. Em cima de uma almofada, as mulheres reproduziram, criaram e recriaram matrizes, pontos e costuras que dão forma a peças exclusivas de um saber centenário.

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Neste primeiro momento de lançamento da coleção, que está disponível no site da Catarina Mina, as vendas acontecerão por encomenda, prática simples, mas completamente transformadora para este novo modelo de mercado, que visa conectar o artesão ao consumidor. A espera por parte de quem compra demora em média 45 dias e permite que a artesã esteja capitalizada, com matéria prima garantida e calculada, sem a necessidade e custos para manter um estoque. Além disso, permite também que o tempo de trabalho seja respeitado, com prazos que combinam com a complexidade do fazer a renda. 

(Foto: Divulgação)

Conforme explica a diretora criativa da Catarina Mina, Celina Hissa. “As roupas feitas de bilro às vezes demoram mais de 250 horas para serem feitas. Por isso, a encomenda e a necessidade de garantir a produção desse grupo de artesãs. A gente acredita muito nesse novo modelo de relação entre o artesão e o consumidor, e como a gente pode conectar essas duas pontas da cadeia, buscando valorizar cada vez mais os fazeres manuais. E no Projeto Olê Rendeiras, a renda de bilro”.

(Foto: Divulgação)

Entre as peças desenvolvidas para esta coleção, estão blusas, camisetas, kimonos e vestidos, que levam tempo variado para fabricação a partir do tamanho de cada uma. No caso do kimono, por exemplo, cada modelo tem 16 tiras trabalhadas no ponto traça. A rendeira pode levar até 22h para concluir uma tira grande e 10h para uma mais curta, totalizando 256h de dedicação manual.

Essa é a segunda coleção de roupas que leva a assinatura Catarina Mina, conta Celina Hissa. A marca sempre lança roupas em modelo de encomenda, por meio do projeto Oficinas Catarina Mina. “São projetos no qual a gente desenvolve uma nova metodologia de trabalho. Esse é o Projeto Olê em que a gente pensou todo o brand e a marca para o grupo. Todas as roupas vão vir com QR Code que você vai poder acessar exatamente a artesã que fez a sua peça [por meio de uma mini biografia], e assim você pode chegar mais pertinho dessa história, como tem que ser”, conta. 

(Foto: Divulgação)

O Olê Rendeiras tem uma tarefa desafiadora e utiliza do método das Oficinas Catarina Mina no aprender e no construir junto dos grupos, para que se fortaleça o artesanato e confira longevidade às tipologias

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Resgate cultural

Criado em 2019, por iniciativa da  Qair, empresa de energias renováveis, com empreendimentos no Trairi, o projeto Olê Rendeiras, por meio da  Qair convidou a Catarina Mina para desenvolver o projeto junto às bilreiras da região. “O Olê Rendeiras é um projeto que procura valorizar a renda de bilro, repensar os laços que envolvem essa arte, fortalecer uma cultura, movimentar a economia de um lugar de uma forma sustentável, que dar força e que terá vida longa porque conta com muita gente para essa trama”, afirma Celina Hissa. 

Rendeiras de Trairi, membros do projeto Olê Rendeiras. (Foto: Divulgação)

Em torno da renda de bilro, um dos artesanatos mais valiosos do litoral oeste do Ceará, o projeto trabalhou, durante meses, com mais de 100 rendeiras, de 14 comunidades da região, para que fosse desenvolvida uma coleção de roupas. A renda de bilro (também chamada renda do Ceará ou renda de almofada), é, como outros saberes artesanais tão ricos do estado, uma tipologia em extinção. Um saber que passa sempre de geração em geração com um aprendizado basicamente orientado pelo olhar: as meninas pequenas viam suas mães trabalharem na almofada, e no intervalo do trabalho se arriscavam a copiá-las.     

Equipe Catarina Mina e mestre Raimundinha, rendeira de Trairi. (Foto: Divulgação)

Contudo, a vida moderna que também influencia essas novas gerações, gera uma distância as futuras bilreiras do traçado tradicional. Daí a importância do Olê Rendeiras, que surge também como um projeto de resgate dessa cultura, acrescentando um toque de atualidade à arte, sem comprometer sua identidade e tradição. 

O principal intuito do projeto é viabilizar a renda para as artesãs que tem essa arte fazendo parte do próprio cotidiano e do próprio sustento. Um trabalho cujas ferramentas vem da própria natureza, às vezes do quintal: de um espinho se faz agulha e marcação.

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