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Conheça Denise Aguiar, secretária executiva de Políticas para Mulheres do Ceará

Por Redação
Conheça Denise Aguiar, secretária executiva de Políticas para Mulheres do Ceará
Denise Aguiar fala sobre a trajetória pessoal e profissional, além de fazer um panorama sobre os serviços de apoio para mulheres no Ceará (Foto: Alex Campêlo)

Criada por mulheres fortes, a cearense Denise Aguiar aprendeu desde cedo que as diferenças de gênero não devem ser usadas como pretexto para vangloriar uns e depreciar outros. A secretária executiva de Políticas para Mulheres do Ceará, empossada em março de 2019, ampliou os ensinamentos da infância e, hoje, trabalha por um sociedade mais igualitária. Ao Site MT, ela fala como a trajetória pessoal uniu-se à profissional, além de fazer um panorama sobre os serviços de apoio para mulheres no Ceará.

Formada em Psicologia e Direito pela Universidade de Fortaleza, ela sempre se interessou por causas sociais. “Me inspirei muito em modelos de mulher, uma delas é a minha mãe, Mônica Moreira de Aguiar, e minha tia Geórgia Gomes de Aguiar, que foi procuradora geral do Estado, em 1982”, conta. 

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Apesar da boa influência dentro de casa, Denise conta que já sentiu-se pressionada em muitos momentos da vida. “Eu sou a única mulher de uma sequência de filhos homens. Sempre senti uma cobrança maior e a necessidade de me empoderar para conquistar o meu espaço. Na adolescência, fui líder de classe e participei do grêmio escolar”, diz.

Denise Aguiar foi criada por mulheres que assumiram cargos de liderança (Foto: Alex Campêlo)

“Eu não me conformava em ver tanta desigualdade e mulheres em segundo plano”,

diz Denise Aguiar.

A secretária reconhece que ocupar lugares de liderança também é um ato político. “Acho que sempre fui feminista e precisei crescer para entender questões como o mercado de trabalho e a importância de estar em espaços de decisões. Não podemos deixar que essas diferenças de gênero, que são históricas, culturais e sociais, se prorroguem”, pontua. 

Empatia e ação

Os anos passaram e Denise continuou alimentando o desejo por mudanças, dessa vez, no âmbito acadêmico. Para ela, as graduações em Direito e Psicologia formam o casamento ideal. “Ambas estão dentro do arcabouço científico e teórico somando na perspectiva de fortalecer o combate à vulnerabilidade”.

“A Psicologia é uma área de conhecimento que trabalha os aspectos de empatia, de compreender a dor existencial. É voltada a uma investigação, um conhecimento que traz essa perspectiva necessária e humanizada sobre subjetividade de ser e estar mulher. E o Direito tem caráter normativo, essa visão mais positiva de implementação de direitos constitucionais”, aponta.

Denise Aguiar tem formação em Direito e Psicologia (Foto: Alex Campêlo)

Denise Aguiar também idealizou e foi a primeira coordenadora do Núcleo de Apoio à Jurisdição, do Fórum Clóvis Beviláqua, um núcleo psico-sócio-jurídico de violência doméstica e familiar, que trabalhava com as Varas de Família e o Juizado da Infância e Juventude.

Avanços no Ceará

Atuando na Secretaria de Proteção Social, Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos humanos, Denise fala ainda sobre os avanços do Estado nessa área. “O Ceará tem hoje uma das Casas da Mulher Brasileira mais efetivas dentre as instaladas e em funcionamento no Brasil. Com os resultados que temos conquistado, estamos lutando por outra unidade, desta vez localizada no interior, no município de Tauá. Além disso, estamos em processo de implantação das Casas da Mulher Cearense na região do Cariri e nas cidades de Sobral e Quixadá”. 

De acordo com a secretária, o Ceará progride, mas ainda enfrenta grandes desafios. “Nosso maior enfrentamento continua sendo com a violência doméstica e familiar e os feminicídios, que acontecem principalmente como uma resposta do machismo estrutural aos avanços das mulheres pela sua autonomia. Todavia, o Estado tem investido para eliminar os impactos dessas ações danosas às nossas cearenses”, declara.

“O Ceará conta com nove Delegacias de Defesa da Mulher, mas é importante ressaltar que todas as delegacias podem receber denúncias de violência contra a mulher”

Denise elenca os principais serviços e equipamentos em funcionamento para dar suporte às mulheres. “Além da Casa da Mulher Brasileira, a rede socioassistencial também conta com os CREAS, Centros de Referência Especializado de Assistência Social, que são equipamentos prontos para atender e dar os encaminhamentos necessários às violações de direitos. Em todo o Estado, temos 113 CREAS municipais e dois regionalizados”.

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