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Em evento do SAS, Daniel Goleman fala da importância da inteligência emocional em meio à pandemia

Por Jacqueline Nóbrega
Em evento do SAS, Daniel Goleman fala da importância da inteligência emocional em meio à pandemia
Daniel Goleman é professor doutor em Psicologia pela Universidade de Harvard e referência em ciência comportamental (Foto: Divulgação)

O SAS Plataforma de Educação realizou, nesta quarta-feira (19), a edição virtual do SAS Summit que teve Daniel Goleman como principal convidado. O norte-americano, que é professor doutor em Psicologia pela Universidade de Harvard e referência em ciência comportamental, falou a convidados, entre gestores escolares e professores, sobre educação socioemocional em meio à pandemia.

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Segundo Goleman, habilidades como inteligência emocional são extremamente importantes nessa nova era, e o isolamento social tem impactado os estudantes atualmente. Reconhecendo não ter a resposta para diminuir os efeitos colaterais da crise nas crianças, ele sugeriu uma técnica para lidar com a ansiedade trazida pelo período.

“Existem várias formas da ansiedade se manifestar. As crianças podem ter dificuldade para dormir, pesadelo e até mesmo crise de raiva. Uma das melhoras maneiras de ajudá-las é o que eu vi em uma escola em Nova York. Fazer um exercício de acompanhar a sua respiração, o ar entrando e saindo. Isso traz um reforço positivo muito grande, muda a resposta do seu corpo biológico. Se a criança faz isso todos os dias, então ela cresce nessa habilidade de gerenciar a respiração. É um método eficiente para várias coisas. Ajuda as crianças a controlarem os impulsos e aumentarem o controle cognitivo”, orientou.

Daniel reforçou que existe uma fase na vida das crianças, entre 9 e 10 anos, em que os amigos se tornam mais importantes que a família. Segundo ele, interação entre crianças é a melhor forma de formar o cérebro socialmente.

“As crianças hoje estão tendo uma diminuição dessa habilidade por conta do distanciamento social, ficando em casa e longe da escola. E a boa notícia é que a gente consegue retomar isso quando elas voltarem ao colégio. Elas têm essa capacidade no cérebro de reaprender isso”.

Habilidades de alta performance

Referência em ciência comportamental, o especialista também apresentou o modelo de inteligência emocional desenvolvido por ele, divido em quatro pilares: consciência de si; gestão de si mesmo; consciência social, particularmente empatia; e como nós gerenciamos os nossos relacionamentos.

Geralmente associada à postura de adultos, a inteligência emocional pode ser trabalhada já com as crianças, segundo defende Daniel. “Isso significa que você consegue gerenciar emoções negativas e pode transformá-las em positivas. Se você tem esse equilíbrio, então consegue tomar as melhores decisões na vida. Em crianças, nós chamamos de habilidade de ter controle cognitivo”.

De acordo com ele, habilidades que pessoas de alta performance têm são orientação para resultado, otimismo e capacidade de adaptação. “As pessoas com essas competências conseguem perseguir metas, apesar das dificuldades que aparecem no caminho. Elas também sempre perguntam e pedem feedback de performance e como podem melhorar”.

“Inteligência emocional é muito mais importante do que a habilidade técnica e cognitiva. O diferencial de grandes executivos é essa habilidade de tomar decisões e fazer escolhas. As habilidades que aprendemos na escola são importantes para você cumprir o seu trabalho, mas não serão o diferencial de uma alta performance”,

defende Daniel Goleman.

Conexão internacional

Ainda durante o SAS Summit, o cearense Ari de Sá Neto, fundador do SAS, reforçou a importância da atenção ao desenvolvimento cognitivo e emocional dos estudantes. “Nós acreditamos que o cognitivo é fundamental, em uma cultura de estudo, em alunos bem preparados, com uma excelente visão de mundo, com um conhecimento sólido de ciências, de exatas e de humanidades. Mas num mundo como esse, que emerge cheio de desafios, sabemos que é fundamental se inspirar nos exemplos do mundo“, disse.

De acordo com o empresário, os profissionais do SAS estão visitando os melhores sistemas educacionais do mundo, em diversos países, como China, Finlândia e Coreia do Sul, mas cita em especial o exemplo de Singapura, que passou a trabalhar com mais intensidade as habilidades socioemocionais dos alunos.

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“É óbvio que a gente precisa adicionar nessa nossa evolução de ensinar e de aprender uma pauta muito forte de habilidades socioeducacionais na nossa visão de educação do SAS. Se como líderes, temos desafios durante a crise, e nós é cobrada a empatia, comunicação transparente, a resiliência e disciplina, por que não devemos fazer isso também com os nossos alunos?”, refletiu Ari de Sá Neto, justificando a escolha do principal convidado do SAS Summit.

Valores e apostas

No bate-papo, Daniel Goleman contou ainda a história de um amigo que era um péssimo estudante na escola, mas ao ir para a faculdade descobriu a paixão pelo audiovisual. O talento evidente chamou a atenção de um diretor de cinema, e o amigo de Goleman conseguiu dirigir um longa, mas não gostou da forma como o material foi finalizado pelo estúdio. Quando surgiu a oportunidade de dirigir o segundo filme, ele decidiu que faria tudo por conta própria, indo contra as recomendações da época, deixando livre a própria criatividade e investindo todo o dinheiro que tinha.

“Talvez você já deve ter visto esse filme, se chama Star Wars. O George Lucas é o filmmaker. O George tomou uma decisão importante baseada nos seus valores. Ele não queria que ninguém controlasse o lado criativo dele, por isso iniciou o próprio estúdio, chamado Lucasfilm. Ele conhecia seus próprios valores e isso é a parte importante de se ter uma consciência de si mesmo“, revelou.

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