“Caros amigos, completei 9 meses de trabalho na Secretaria da Saúde do Ceará. Feliz pela oportunidade de colaborar, de romper barreiras, de exercitar , “sair da caixinha”, de fazer novos amigos e, provisoriamente perder alguns queridos, simplesmente por manter a coerência necessária para por um tijolo nessa muralha! Não para separar, mas para trazer um pouco de esperança no futuro, e cumprir a missão de entregar aos nossos filhos uma vida melhor.


Tive que exercer uma postura complexa, oscilei da candice ao ato enérgico. Confesso que em algumas ocasiões fui um pouco ofensivo, mas em seguida, revi minhas atitudes, sensibilizado pela angústia de perceber um sistema adoecido e fragilizado.


Talvez essa tenha sido a maior decepção, pois, mesmo após 29 anos de trabalho intenso na minha profissão não imaginava quão vulnerável estava a nossa saúde. No entanto, não posso me considerar um neófito, como fez alusão um certo jornalista. “Fi-lo porque qui-lo! “. Assim, assumi a pasta convicto de me manter médico e secretário. O exercício do ato médico, é ao meu ver, a oportunidade de pensar diariamente nos limites da vida, de estabelecer harmonia entre o nosso ID, ego e superego, além de perceber nossa humanidade junto com todas as contradições e fragilidades. De estabelecer princípios e não dogmas imutáveis, de manter a capacidade de entender os atores da sociedade e do nosso sistema de saúde, sendo ao mesmo tempo gestor e executor das ações de acolhimento e cuidado.


Enfim, vamos tentando, tentando, tentando…, sem esquecer a história de Sisifo e a necessidade de ter resultados, arrisquei-me intensamente, não posso cair com as pedras… Cada manhã, cada novo dia, estabeleço um passo a mais, mudando e aprendendo, estabelecendo inspiração nos pequenos atos.

Dr. Cabeto na posse do Governador do Estado, em janeiro

No início algumas pessoas perguntavam se ainda continuo atendendo nos hospitais e no consultório. Respondo sim, pois é também no exercício médico que obtenho inspiração, paz e felicidade plena. É quase um vício, e sua abstinência me seria muito dolorosa. Felizmente, tenho conseguido manter minhas atividades com determinação e carinho aos pacientes que me trazem inspiração e estímulo para uma luta que também é deles. A disponibilidade de aceitar atendimentos em horários inadequados, me estimula e traz a crença na relação honesta e empática que estabeleci nos últimos 29 anos.

Costumo dizer que a vida de um médico é muito rica, as oportunidades de compreender a vida nos seus mais diferentes aspectos são diárias, são sempre diferentes, não somente devido ao tempo, mas, sim devido às missões.


Muito obrigado por tudo, agradeço a oportunidade da convivência com todos vocês! Grande abraço”