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Pandemia traz exercício de altruísmo tal como a vida de uma mãe, diz secretária de Saúde de Fortaleza

Por Jacqueline Nóbrega
Pandemia traz exercício de altruísmo tal como a vida de uma mãe, diz secretária de Saúde de Fortaleza
A secretária Joana Maciel enfrenta o maior desafio da carreira estando à frente da Secretaria Municipal da Saúde em meio à pandemia (Foto: Divulgação/Prefeitura)

Médica formada pela Universidade Federal do Ceará, com formação em Pediatria e Mestre em Saúde da Criança e do Adolescente pela Universidade Estadual do Ceará, a secretária municipal da Saúde, Joana Maciel, ao lado de gestores como o prefeito Roberto Cláudio, tem papel importante na contenção do novo coronavírus na Capital. Neste Dia das Mães, assim como muitas famílias, tentará conciliar o trabalho de titular da Pasta com um almoço em família.

Ao Site MT, Joana contou como tem sido a rotina, lamenta as mortes no Estado do Ceará em decorrência da Covid-19, e se diz grata em trabalhar à frente de uma equipe competente. “Acho que essa pandemia nos traz um grande exercício de altruísmo, assim como é a vida de uma mãe” , disse.

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Leia na íntegra:

Como tem sido a rotina à frente da Secretaria Municipal da Saúde? Qual é a importância de estar à frente de uma pasta tão essencial nesse momento?

A minha rotina mudou completamente. Sempre trabalhei muito, sou médica, dei plantões, depois que fui para a área de gestão nunca tive hora para parar. Mas durante a pandemia tem sido um trabalho como nunca tive antes, de segunda a segunda, sem folga. Uma rotina árdua, de muito trabalho. Eu enxergo o fato de eu estar à frente da Secretaria nesse momento como o maior desafio profissional que já passei. É um desafio inimaginável, mas que tem me dado a oportunidade de enxergar algumas coisas. Primeiro o privilégio de estar nesse momento numa gestão liderada pelo prefeito Roberto Cláudio, um gestor ímpar, de uma liderança nata, de um senso humanitário sem precedentes e que tem se dedicado exclusivamente a questão do enfrentamento à pandemia, não só na área da saúde, mas também em outras áreas, especialmente a social, que é uma de suas maiores preocupações. A gente sabe que o impacto do isolamento social, que é necessário, traz consequência na vida das famílias, principalmente naquelas de menor renda. Ele próprio tem gerenciado nosso gabinete de crise. Isso faz com que tudo, o staff do município de Fortaleza, todos os secretários, o alto escalão da Prefeitura, estejam nesse momento dedicado à saúde. Isso me fez perceber, de forma muito mais clara, o que eu já sabia. Como também o privilégio de eu estar à frente de uma equipe gigante. A equipe da saúde tem se mostrado guerreira, competente e determinada no enfrentamento do que os seres humanos têm de mais precioso, que é a vida. A gente tem tido perdas importantes, é muito lamentável o número de mortes que já temos na nossa cidade, mas precisamos compreender também que graças a todo esse esforço temos salvado muitas vidas. Muitas pessoas estão sendo tratadas, tratadas adequadamente. A saúde da cidade, do próprio Estado, se reinventou, a gente fez uma rede de saúde paralela para atendimento a pacientes com Covid-19 e felizmente temos conseguido salvar muitas vidas.

Qual o sentimento, como mãe e secretária, diante da pandemia?

Eu entendo que a mãe é o ser mais altruísta que existe na Terra. Depois que você se torna mãe, passa a sempre pensar em primeiro lugar no seu filho. Eu acho que esse tipo de sentimento tem toda relação com essa pandemia. Se nós imaginarmos que uma pessoa que já teve a doença tem que está sempre pensando no outro… Ela não pode pensar só nela. Ela tem que pensar que, mesmo que já tenha tido a doença, pode transmitir para outros através de contato, através das mãos. E até mesmo se você é uma pessoa que não faz parte de nenhum grupo de risco, se você tem o risco de ser acometido pela doença de uma forma leve ou até assintomática, tem que está sempre pensando nos outros. Pensando nas outras pessoas, principalmente naquelas que são grupo de risco, pensando em não contaminá-las. Acho que essa pandemia nos traz um grande exercício de altruísmo, assim como é a vida de uma mãe.

Como será o Dia das Mães este ano?

Nós temos dois filhos que ainda moram conosco, um de 23 e uma menina de 21, e a nossa comemoração vai ser muito atípica porque com certeza ainda estarei trabalhando muito. Espero ter um tempinho para que a gente almoce juntos e possa celebrar a vida, mesmo dentro desse turbilhão. Nossos filhos têm tido uma compreensão muito grande na necessidade de estarmos preocupados com o que as pessoas tem de mais precioso, que é a vida. Eles sabem que a mãe dele está à frente desse desafio e toda ausência é mais que justificada porque é por um uma causa muito nobre, que é salvar a vida dos fortalezenses.

Segundo dados da ONU, mulheres ocupam 70% dos cargos nos setores social e de saúde em todo o mundo, e a maioria é também mãe e responsável pela família. Como você enxerga essa realidade?

O elevado percentual de atuação da mulher na área de gestão social ou da saúde, eu enxergo com muita naturalidade, porque eu estou nessa área há bastante tempo, e não tive nenhuma dificuldade em me inserir no mercado, nem como médica, nem como gestora. No entanto, infelizmente essa não é a realidade da maioria das mulheres no mundo todo, principalmente aquelas de baixa renda. Elas não têm as mesmas oportunidades que o homem tem no mercado, e quando têm, ganham uma remuneração menor. Então é lamentável que a gente ainda conviva com esse tipo de realidade.

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Qual a importância do isolamento social, mesmo entre familiares, para evitar a propagação da Covid-19 nos próximos dias na cidade?

Nós estamos em uma fase de transmissão comunitária sustentada na nossa cidade, com relação à Covid-19, e infelizmente no cenário de um crescimento que tende a exponencialidade, principalmente no número de óbitos. Muito já se fez no Ceará, com a restruturação da rede. No município de Fortaleza não foi muito diferente. Houve investimento em todas as áreas, desde atenção primária, passando por UPAs e hospitais, entretanto nada disso será suficiente, mesmo que aumentemos ainda mais o numero de leitos, como iremos fazer. Nada disso será suficiente se a gente não for capaz de minimizar as dispersão da doença, a disseminação do vírus, a circulação viral. E só existe uma forma de fazer isso, através do isolamento social, do distanciamento entre as pessoas, e é fundamental que a gente possa contribuir nesse momento como cidadão e mais uma vez deixando um pouco de pensar em nós mesmos e pensando também no outro. Pensando naquele que é do grupo de risco, pensando naquele que tem uma renda menor que a nossa, que não tem a mesma condição de acesso, então é muito importante que toda a população entenda a importância do isolamento social, para que a gente possa minimizar os efeitos da pandemia no nosso município, e com isso a gente possa prestar um atendimento de qualidade às pessoas, principalmente àquelas que mais precisam.

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