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Carla Lemos avalia papel do influenciador social e adianta debate do ‘Digital Pensando Moda’

Por Jacqueline Nóbrega
Carla Lemos avalia papel do influenciador social e adianta debate do ‘Digital Pensando Moda’
Carla Lemos traz assuntos como consumo consciente, representatividade, sorororidade e empoderamento feminino à comunidade que lhe acompanha na internet (Foto: Reprodução/Instagram)

Criadora de conteúdo, autora do livro “Use a moda a seu favor” e fundadora do icônico blog Modices, Carla Lemos é a palestrante deste domingo (12) na programação do Digital Pensando Moda“, ação do Senac no DFB DigiFest 2020. Ao Site MT, a carioca adiantou as reflexões que trará no bate-papo e disse que a pandemia de Covid-19, causada pelo novo coronavírus, afetou, sim, o trabalho dos influenciadores sociais, que deverão agora, mais do que nunca, trazer conteúdos que agreguem.

“O papel do influenciador é inspirar os seguidores. Por isso houve tanta repulsa no caso da Gabriela Pugliesi, por exemplo. Era uma pessoa que estava ali defendendo ideais de ser saudável, mas não teve essa mesma consciência na hora de uma pandemia dessa proporção. E fica incoerente o discurso. Acho que a palavra chave dos criadores de conteúdo é coerência. E principalmente sair do ciclo clichê”, defende Carla.

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Segundo ela, cada pessoa é única, com as próprias referências e bagagens, e o autoconhecimento vai fazer com que isso seja expressado da melhor maneira possível. O sucesso do Tik Tok, avalia, vem justamente pela originalidade que é possível de colocar em cada um dos desafios feitos na rede social.

Além a originalidade e coerência demandadas nos conteúdos das redes sociais, outro movimento que ganhou força com a pandemia, diz a carioca, é o consumo consciente, provando como as pessoas podem viver com menos do que imaginam. Os reflexos disso são sentidos especialmente na moda, normalmente associada ao consumo desenfreado.

“Somos tão seletivos na hora de comprar um produto de limpeza, quando vamos comprar uma geladeira, e por que a gente não tá fazendo isso com as roupas? Espero que esse período sirva para as mulheres refletirem sobre isso. Sobre o consumo não só sob um aspecto de sustentabilidade, que é super importante, mas principalmente sobre o que tá comprando de fato. Olha quanta gente percebeu que não tinha roupas confortáveis pra ficar em casa”, pontua.

Comunicar a moda

No bate-papo virtual do qual vai participar no domingo, a convite do Senac, Carla Lemos trará reflexões sobre como a pandemia alterou a forma de comunicar moda e de como o segmento tornou-se não essencial na rotina das pessoas. “As pessoas não querem só ter uma novidade o tempo inteiro, uma roupa nova para ver no feed, elas querem mais ideias para poder usar as mesmas peças. Acho que esse é um momento onde as marcas precisam entender que produzir conteúdo é parte importante do trabalho, porque não adianta criar modelo novo de roupa para estar toda semana na loja, se você não mostra esse produto, valoriza ele”, argumenta.

Para ela, a forma como as marcas tratam os próprios produtos demonstra uma falta de afetividade, sentimento que tem sido muito valorizado em relação ao que consumir. “A gente precisa pensar em uma indústria da moda que seja mais sustentável, mas não no clichê das frases prontas. Sustentável de verdade para toda a cadeia, não só com tecidos corretos e na sua forma de produção, mas na forma de se apresentar ao mundo”, defende.

Os próximos meses, de acordo com Carla, serão um período de reajustes e de reconfigurar a rota. “É hora das marcas olharem para o que tá acontecendo na vida das consumidoras, pra entenderem o que podem entregar para elas. As marcas passaram tanto tempo olhando só para fora, para o estrangeiro, para o consumo de fora, que tá na hora de ficarem em casa e olharem pras suas comunidades e entenderem como atender as demandas e os desejos”.

A carioca iniciou o “Modices” com a vontade de trazer representatividade (Foto: Reprodução/Instagram)

O início de tudo

Criado há mais de dez anos, o “Modices” surgiu a partir do desejo de Carla em ver mais representatividade no contexto da moda. Ela relembra que não se identificava com o que via em editoriais de moda de revistas da época: looks caros e ideais para serem usados no clima europeu, sem nenhuma ligação com a realidade brasileira. A carioca queria referências de estampas e cores e que se adequassem à sua rotina. Hoje, o blog e a própria Carla são referência quando o assunto é empoderamento, representatividade e sororidade.

“A cada dia tento dar uma pincelada de provocação, de questionamento, pra fazer as mulheres pensarem e se identificarem mais com as pequenas coisas. Esses dias mesmo tava falando sobre lingerie e dezenas de mulheres se identificaram com essas questões. A gente fala muito sobre representatividade na imagem, mas representatividade é importante também nas ideias”.

O livro “Use a moda a seu favor” é de autoria de Carla e foi lançado em 2019 (Foto: Reprodução/Instagram)

‘Ponto de conclusão’

O livro “Use a moda a seu favor“, lançado em 2019, é um complemento ao que a carioca faz na internet. Carla conta que não queria que a publicação tivesse uma data de validade limitada, por isso, no início, teve a ideia de montar um guia de estilo, mas acabou indo além. “Vi que não adiantava apenas dizer pras mulheres que elas podiam usar verde, vermelho e rosa. Precisava ir lá no cerne da questão pra poder mexer com o que impedia as mulheres de se permitirem, usarem coisas novas. A partir daí fiz esse mergulho traçando paralelos, entre a história das mulheres e da moda, fazendo essas análises baseada em toda a trajetória do ‘Modices'”.

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O livro é também, para Carla, um “ponto de conclusão” de tudo o que ela viveu em 12 anos e, principalmente, de como ela se transformou por meio do empoderamento feminino. “A gente precisa realmente do feminismo entrando dentro dos processos da moda, e eu acho que é isso que eu quis mostrar no meu livro: que o feminismo precisa permear a moda, não na estampa das camisetas, mas no processo, do pensar, nas criações”, acrescenta.

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