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Gabriel Baquit se inspira no Ceará para criar moda

Por Jacqueline Nóbrega
Gabriel Baquit se inspira no Ceará para criar moda

Formado em Publicidade e Propaganda, Gabriel Baquit passeou por muitas áreas do mercado até decidir qual caminho iria de fato trilhar. Trabalhou em grandes marcas locais, como Água de Coco e Cholet, mas foi com o desenvolvimento de seu próprio negócio que ele se encontrou.

“Trabalhei como atendimento, redator, fotógrafo e até pesquisador na área acadêmica, mas foi na direção de arte e no design gráfico que eu acabei construindo minha carreira pós faculdade”, conta, lembrando que sempre desenvolveu muitos trabalhos para marcas de moda.

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“Desde criança sempre fui muito criativo e sempre me incomodou quando minha criatividade era barrada de alguma forma. Por isso sempre tive uma pulguinha atrás da orelha dizendo que eu deveria construir algo meu, onde pudesse trabalhar com outras pessoas criativas e onde a gente pudesse criar algo em que acreditássemos, do nosso jeito, com os limites que a gente bem entendesse”, detalha Gabriel.

Durante o DFB Festival de 2019, apresentou, com um desfile aclamado pelo público presente, a primeira coleção de sua marca própria, BABA, chamada “No Meu Tempo“, que falava sobre as memórias afetivas de quem viveu no Ceará nos anos 1990. “Em seguida lançamos uma coleção-cápsula chamada ‘Iracema, Meu Amor‘, que tinha como carro-chefe uma estampa que retratava a nossa querida Praia dos Crush”, relembra.

Em 2020, ele se despediu da parceria com Marina Bitu e ganhou um novo sócio, o designer Davi Sombra. “Sem a Marina, a BABA não teria nascido”, reconhece. “Eu brinco dizendo que o processo de criação da marca foi tipo aprender a andar de bicicleta: ela me deu suporte por um bom tempo e eu sempre dizia ‘não solta! não solta!’, com medo de cair, até que um dia ela soltou e eu, mesmo que um pouco desengonçado, consegui pedalar sozinho”, conta Gabriel, sobre a sociedade e a amizade com a designer.

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‘Apropriação do que é nosso’

A próxima coleção da BABA, adianta Gabriel, também terá muito do Ceará. “Confesso que sempre achei um pouco estranho a mania que algumas marcas têm de olharem mais para fora do que para dentro para se inspirarem. Uma caminhada na Praia de Iracema, uma volta no Centro, uma ida ao Benfica, tudo isso é tão rico de referências…”, reflete.

Questionado sobre o mercado do Ceará, Gabriel diz acreditar que o Estado está colhendo os frutos de anos de investimento. “O Ceará é um dos maiores polos têxteis do Brasil. A gente tem um evento de moda absurdo, no melhor sentido da palavra, como o DFB Festival, e já nem sei mais quantos cursos de Design de Moda temos… Estamos sendo capacitados e o resultado só pode ser muito bom!”, projeta.

Muito a crescer

Mesmo com a força que a BABA ganhou, principalmente nas redes sociais, o designer é pé no chão e confessa acreditar que ainda tem um grande percurso a percorrer. “A BABA é uma marca muito nova – ainda nem completou um ano! Por isso precisa de bastante atenção para que continue a crescer num ritmo bom. Não temos uma equipe grande e nem um ponto de venda próprio. Sim, a gente conquistou um espaço relevante em um tempo tão curto, mas ainda há um caminho muito longo a percorrer e esse é meu grande objetivo pra 2020″.

Em 2020, revelou, ele deve, sim, estar mais uma vez no line-up do DFB Festival.

O designer falou de seu projeto paralelo, o Tome Batom Vermelho, em parceria com os amigos e DJs Isa Capelo e Ney Filho. “A gente tá completando cinco anos de coletivo e ainda no primeiro semestre devem surgir algumas novidades bem legais pra gente, mas ainda não posso dar mais detalhes! Gente, eu me senti um nojo dizendo isso“, brinca.

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