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Celebrantes possibilitam cerimônia personalizada e livre de rótulos para os casais

Por Jacqueline Nóbrega
Celebrantes possibilitam cerimônia personalizada e livre de rótulos para os casais
Sarah Coelho reforça que para o trabalho fluir bem é preciso haver empatia entre noivos e celebrante. "Sugiro aos noivos checar se o profissional é responsável e bem recomendado, mas, depois disso, deixar ouvir o coração, sentir se o santo bateu", explica. (Foto: Dario Coelho)

Cerimônias personalizadas com a presença de um celebrante que conta a história do casal de uma forma descontraída, tornando o momento ainda mais especial são tendências cada vez mais frequentes em casamentos. “Tem validade simbólica e afetiva, ‘apenas’”, explica a celebrante Sarah Coelho sobre uma cerimônia realizada por um profissional como ela. “Coloco entre aspas porque, para mim, nada pode ter mais valor que isso! A grande verdade é que existe uma demanda geral e crescente da sociedade por serviços personalizados. Em 2019, inclusive, personalização foi eleita a palavra do ano pela Associação de Anunciantes Nacionais, entidade importante para o setor de marketing americano”, reforça.

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Bruna Magalhães e Ravi Macêdo ganham casamento surpresa

Sarah é jornalista e os textos afetuosos faziam parte da rotina dela, mesmo que fossem apenas em cartas e homenagens aos amigos. Trilhar um caminho como celebrante foi um processo natural. O primeiro casamento que ela celebrou foi em dezembro de 2018, mas antes disso já tinha oficializado momentos importantes de pessoas próximas, como a festa de formatura e o noivado da irmã, além de uma cerimônia de boas-vindas para o sobrinho.

O processo para celebrar uma cerimônia varia de acordo com o profisisonal. Sarah explica que gosta de se encontrar previamente com o casal. “Sem dúvida, diversas ideias aparecem a partir da história deles, e é aí que a mágica acontece. Por exemplo, uma vez um noivo me contou que costumava fazer listas com desejos e metas em caderninhos que ele guardava na gaveta. Ele me mostrou um caderninho em que escreveu, antes de conhecer a noiva, que queria encontrar uma companheira para partilhar os sucessos e fracassos da vida”.

Antes mesmo de trabalhar como celebrante, Sarah oficializava cerimônias de pessoas próximas, como o noivado da irmã e a cerimônia de boas-vindas do sobrinho (Foto: Michel Brito)

“Então, no dia do casamento, nós ‘atualizamos’ esse ritual. Mandei fazer um quadro com um bloquinho de papel pregado, e ali eles escreveram, na hora da cerimônia, o que tinham me dito, nas entrevistas prévias, que esperavam construir juntos. Depois assinaram como uma espécie de ‘certidão de casamento‘ simbólica. Foi super significativo pros noivos e algo que surgiu a partir da histórias deles”, relembra.

Sarah reforça que apesar da personalização, os símbolos de um casamento tradicional permanecem. “O que isso quer dizer, na prática? Que temos cortejo, entrada de alianças, troca de votos, hora do sim e beijo. Só mudamos se algo não faz sentido ou incomoda os noivos. Existem casais que não usam aliança, por exemplo. Muitos noivos sentem que se não seguirmos esse ‘passo a passo‘ não parece um casamento, vira apenas um discurso bonito. Isso não é unânime, mas é bem comum, e é claro que conversamos sobre tudo isso nos nossos encontros prévios”, detalha.

Semente plantada

Lara Rovere também é jornalista, mas o ofício de celebrante surgiu somente em 2019. “Já escrevi muita carta pra namorado de amiga e sempre ocupei esse lugar de ouvir e contar histórias de amor. No primeiro semestre do ano passado, uma amiga ia casar, se deparou com a figura de celebrante e na hora lembrou de mim. Acabei não fazendo o casamento dela porque já ia ser madrinha e mãe de daminha. Mas, ali, foi plantada uma semente. Em agosto, fiz o da minha irmã, amei a experiência e, em vez de ir com calma, fui com alma, com tudo”, conta.

Fazer um curso de formação, aliás, não é requisito para iniciar na profissão. Lara, no entanto, buscou fazer aulas online com uma profissional referência na área e conta que foi essencial para sua trajetória.

Lara Rovere reforça que as cerimônias ministradas por celebrantes têm o papel de relembrar o casal as razões que os levaram até ali (Foto: Arquivo pessoal)

No processo da celebrante, além dois noivos, ela gosta de conversar com três pessoas próximas ao casal para enriquecer ainda mais o repertório. É esse material que a guia na hora da cerimônia. Com a pandemia, ela explica que muitos casamentos foram reagendados para o próximo ano. Mesmo assim, já teve a oportunidade de celebrar cerimônias intimistas, como a de Bruna Magalhães e Ravi Macêdo, na qual os fornecedores armaram uma cerimônia surpresa, e a de Felipe e Caroline Monteiro, na Taíba.

Para quem está se programando para o casório, Lara explica que um casamento guiado por um celebrante não têm efeito religioso e civil, mas tem – e muito – efeito de afeto.

“O tipo de cerimônia que conduzimos não tem o papel de validar a relação e, sim, de relembrar ao casal as razões que os levaram até ali, a importância das trajetórias individuais para que, por livre e espontânea vontade, decidam caminhar juntos. Isso é muito bonito e potente, sabe?”

“Mas, ao mesmo tempo, ainda seguimos também sendo uma opção para quem deseja uma cerimônia laica, para casais homoafetivos, que vêm de outras relações ou, ainda, essas pessoas que, mesmo optando pelo civil e pelo religioso, em outro momento fazem questão de uma cerimônia customizada, de viver esse rito de uma forma muito mais desperta. Como diz a música ‘Amor de Índio’, sim, todo amor é sagrado. E acrescento: deve ser celebrado“.

Convite despretensioso

Flávio Liffeman também atua como celebrante de casamento há seis anos. Entrou no segmento como cerimonialista, profissão que também exerce há 30 anos, a convite de um cliente. “Eu já havia organizado os 15 anos da irmã, as bodas dos pais e dos avós. Confesso que pensei mil vezes, enquanto no outro lado da linha ele dizia que queria minha poesia e a forma como eu me referia ao amor. Aceitei com muita responsabilidade e como um desafio. Depois dessa cerimônia, um convidado deles me contactou para celebrar o da filha dele. Comecei a estudar as formas de celebração e com a experiência de muitas cerimônias que assisti, filtrei, inovei e criei meu próprio estilo”.

Na opinião dele, o grande motivo para as pessoas procurarem um celebrante é o fato de a cerimônia ser livre de rótulos e padrões. “A maioria dos casais espera ansioso pelo momento de trocarem os votos publicamente. Algo que tradicionalmente não se faz em igrejas e templos. Há ainda a liberdade nos cortejos que podem incluir até a entrada de seus pets conduzindo as alianças”.

Atuando há seis anos como celebrante, Flávio Liffeman tem muitas histórias de bastidores para contar (Foto: Arquivo pessoal)

Para construir a cerimônia, Flávio conversa com os casais previamente, grava as entrevistas e as escuta quantas vezes achar necessário. Ele reforça que não escreve roteiros, nem lê textos prontos, com exceção de alguma poesia a pedido do casal. . “Cada cerimônia tem a personalização de acordo com os noivos e o lugar onde estarão casando. Mas, claro, sempre terão votos, alianças e o livro de registro, onde a assinatura de cada casal comprova que o amor nunca foi tão livre ao unir os que amam”.

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Casamento online: noivos contam detalhes das cerimônias

A profissão, claro, traz muitas histórias de bastidores, incluindo a de um noivo que sonhava em entrar na cerimônia montado em um cavalo. “O animal, apesar de ser dele, não deixou que ele montasse e ainda sujou o terno que era de tom claro. O noivo entrou a pé e sem o terno”, lembra.

Ao todo, Flávio celebrou 63 cerimônias. “Um dos casamentos que sempre vou guardar é de um casal que já vivia juntos há 10 anos e nunca havia se casado. Um dia, o filho mais novo perguntou ao pai se era verdade que ele amava a mãe dele. O pai respondeu que sim e o filho questionou: ‘Então não acha estranho que ainda não tenha casado com ela?’. Quando me escolheram para celebrar e me contaram essa história, fiz questão de convidar os filhos para também assinarem o livro de registro. Afinal, isso é história viva“, conclui.

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