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Outubro rosa: como apoiar mulheres em tratamento contra o câncer de mama

Por Yohana Capibaribe
Outubro rosa: como apoiar mulheres em tratamento contra o câncer de mama
Apoio da família e dos amigos, suporte emocional e estímulo ao autocuidado são fatores apontados como essenciais para seguir em frente, na opinião de mulheres que passaram pelo tratamento. (Foto: Alex Campêlo)

Medo. Angústia. Preocupações. São várias sensações e sentimentos que as mulheres sentem ao descobrir o diagnóstico do câncer de mama. “Naquele momento, sua mente faz uma retrospectiva de toda sua vida, surge um turbilhão de dúvidas com um misto de medo e incertezas. Será que vou morrer? E meus filhos? E minha mãe que depende de mim? Todos esses questionamentos são normais nessa hora”, descreve Sônia Santana, 61, que está curada há oito anos. Para ela e outras quatros mulheres que relatam a trajetória na luta contra o câncer de mama para o Site MT, o apoio da família, dos amigos, dos médicos e de grupo de pessoas com o mesmo problema foi essencial para auxiliar na recuperação e na transformação do viver. 

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Outubro Rosa: porque o câncer de mama é tão letal e onde buscar tratamento

Sônia Santana, Marlene da Silva, Elenilda Fernandes, Celina Ferreira e Dacyrlene Costa são os nomes de algumas mulheres que superaram o câncer de mama e, hoje, descobriram uma nova forma de viver e de se ver. Foram vários os procedimentos pelos quais elas passaram, entre quimioterapia, radioterapia e mastectomia. “Para passar por tudo isso é preciso que tenhamos muita serenidade para enfrentar um dia de cada vez, é preciso buscar informações, receber o apoio da família, dos amigos. Porque o tratamento é longo e, de certa forma, doloroso”, descreve Marlene da Silva, 53.

Apoio sem julgamentos

Em junho de 2018, Marlene da Silva descobriu que estava doente após um exame de rotina. “Receber o diagnóstico de câncer é sem dúvidas muito difícil, a sensação é de que nos faltam palavras, força para enfrentar, levantar todos os dias. Mas, ainda assim você também sabe que é preciso seguir em frente, em busca da vida, do tratamento”, afirma.

Durante o tratamento, o pai de Marlene faleceu. Após essa dolorosa perda, veio a queda dos cabelos e o afastamento dos eventos sociais. “Um grande número de mulheres, ao receber o diagnóstico, enfrenta perdas afetivas pela rejeição. Felizmente, eu não passei por esse processo. Foi determinante o apoio do meu marido”, ressalta.

“Enfrentar um câncer nunca é fácil. Hoje eu posso dizer que a luta contra o câncer me tornou uma mulher mais forte”, diz Marlene da Silva. (Foto: Alex Campêlo)

Para Marlene, o apoio da família e dos amigos foi essencial, mas ela também ressalta a participação na Associação Cearense das Mulheres Mastectomizadas – Toque de Vida. “Conhecer a experiência de outras mulheres é muito importante, além do apoio psicológico”.

“Para ajudar uma mulher que está enfrentando o diagnóstico de um câncer não é preciso muito: basta ser colo que acolhe, oferecer uma palavra, um abraço. É, na verdade, fazer você sentir que não está sozinha”, declara Marlene da Silva.

Marlene descobriu o câncer aos 51 anos de idade durante um exame de rotina. Para ela, foi essencial o apoio da família para reagir bem no tratamento (Foto: Alex Campêlo)

Estímulo ao autocuidado

Aos 47 anos, Dacyrlene Costa descobriu que estava com um carcinoma na mama esquerda. Ela não precisou passar pela quimioterapia, mas realizou a mastectomia radical, que é a retirada completa da mama. “Eu procurei ouvir só o que o médico me falava, viver uma coisa de cada vez. A sensação de me sentir mutilada após a cirurgia foi muito forte, mas tem a sensação de também estar curada. É delicado, mas o medo vai passando”, lembra.

A cirurgia afetou a autoestima de Dacyrlene, e por conta das dores, ela optou por não fazer a reconstituição da mama. Neste momento, o apoio familiar se fez ainda mais importante. “Eu sou super vaidosa, mas com dor, eu não conseguia focar nesses detalhes. Não é fácil, mas minha filha me estimulava a passar um batom, colocar um óculos, bater uma foto. Fez diferença para mim. Eu me sentia curada, era só um detalhe físico que faltava. Hoje, me sinto ainda mais bonita”, descreve.

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Durante o tratamento contra o câncer, Dacyrlene Costa buscou não focar nas perdas, mas sim na saúde e na cura do câncer (Foto: Alex Campêlo)

Embora o apoio familiar tenha sido fundamental na recuperação de Dacyrlene, alguns estímulos de amigos a deixaram mais ansiosa durante o tratamento. “Eu tinha uma amiga que a gente sempre conversava, mas quando faltavam três dias para minha cirurgia, ela me ligou e falou sobre a rejeição da mama, da continuidade do câncer. Isso me assustou, logo quando faltavam três dias para eu ser operada. Foi ruim na hora, mas consegui superar com a minha família. Se não pode ajudar, fique calado, é melhor”, esclarece.

“Eu sempre gostei de valorizar minha família, cuidar deles. Hoje, estou aprendendo a cuidar um pouquinho mais de mim aprendendo a viver intensamente”, conta Darcyrlene. (Foto: Alex Campêlo)

Ter em quem confiar

A descoberta do câncer de Sônia Santana foi há nove anos. No dia do resultado da biópsia, ela estava sem a família. “Estava só eu e Deus. Nesse momento, eu comecei a falar com ele, não acreditei no que estava acontecendo. Fiquei estagnada por alguns minutos, chorei, o que é normal após um resultado desse. Eu não sabia o que aconteceria comigo”, lembra.

As principais dúvidas de Sônia era sobre  a intensidade do câncer e os tipos de tratamento. “Eu tive vários anjos na minha vida. Começou todo o processo e me indicaram um mastologista maravilhoso, ele me deu uma aula sobre o meu câncer”, conta. Sônia fez 28 sessões de radioterapia e fez uma quadrantectomia, cirurgia que remove apenas uma parte da mama.

Para Sônia Santana, após superar o câncer, “você começa a valorizar coisas que antes nem dava conta da importância que é pra sua vida”.  (Foto: Alex Campêlo)

Hoje, ela é voluntária no Toque de Vida e garante que a escolha do profissional de saúde faz a diferença. “É importantíssimo ter um mastologista em quem você confie, porque você se sente segura. Aliás, toda a equipe de profissionais que vai te acompanhar”, ressalta.

“Vivenciar e sentir um câncer só me fortaleceu, eu me reinventei”, conta Sônia (Foto: Alex Campêlo)

Força para renascer

Foi durante um banho no dia do aniversário, em 2002, que Celina Ferreira, 61, descobriu um nódulo ao fazer o autoexame. O resultado da biópsia foi desanimador: conforme o médico, ela só tinha mais três meses de vida. Hoje, são 18 anos desde a retirada radical da mama direita, seis ciclos de quimioterapia e 25 sessões de radioterapia.

“Tirei o peito, mas temos outras maneiras de cobrir o que foi retirado, prótese, cirurgia reparadora. Foi apenas a mama, mas o meu sorriso e minha força de vencer são maiores”, atesta Celina.

Celina Ferreira descobriu o nódulo na mama durante o autoexame que faz no banho, no dia do próprio aniversário. (Foto: Alex Campêlo)

A ideia de perder o seio, conta ela, não assustava muito, “pois a mama fica por baixo da blusa, ninguém vê”. Já a perda dos cabelos foi o que mexeu profundamente com ela e instaurou o medo. “Fiz um tratamento que deixou meu cabelo bem ralinho. Fui dormir e quando acordei o travesseiro estava cheio de cabelos. Hoje, penso diferente. Cabelo é raiz, cabelo nasce e quando nasce vem melhor, vem mais bonito, com mais força. E há várias maneiras de ficar bela: lenço, turbante, tiaras, um lacinho cor-de-rosa na carequinha também fica bem“, brinca.

Celina também encontrou apoio na Associação Toque de Vida e por lá ficou para ajudar outras mulheres. “Todo tipo de apoio é importante: carinho, palavras amigas. Receber um diagnóstico de câncer não é fácil, o medo é grande demais. Afeto, carinho, amor, solidariedade valem muito, assim você vê que não está só”, declara.

Durante o tratamento, Celina encontrou apoio na Associação Toque de Vida e, há 16 anos, ajuda outras mulheres que estão lutando contra o câncer (Foto: Alex Campêlo)

Vida após o choro

A descoberta do câncer para Elenilda Fernandes, em 2014, veio com três dias seguidos de choro. O tratamento englobou oito sessões de quimioterapia, trinta de radioterapia e a cirurgia de quadrantectomia, processo que fragilizou a autoestima dela. A perda da sobrancelha, lembra Elenilda, foi o que mais a afetou. “Hoje me sinto melhor que antes do câncer, foi uma nova descoberta para a vida,  sou uma nova criatura”. 

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A perda da sobrancelha foi o que mais afetou Elenilda Fernandes durante o tratamento. “Hoje me sinto melhor que antes do câncer, foi uma nova descoberta para a vida,  sou uma nova criatura”. (Foto: Alex Campêlo)

“Aprendi a me amar, me valorizar e me cuidar. Após o câncer, me vejo uma pessoa de muita fé, produtiva, crescimento em todas as áreas e de bem com a vida.  Valorizo mais a vida,  tenho ânsia de viver,  cada dia melhor que o outro,  com qualidade de vida e desfrutar os momentos felizes que a vida nos proporciona. Hoje, tenho amor próprio”, declara.

Rede de apoio

Marlene da Silva, Dacyrlene Costa, Sônia Santana e Elenilda Fernandes posam ao lado de Mary Dias (no centro, de vermelho), diretora da Associação Toque de Vida. (Foto: Alex Campêlo)

Descobrir um câncer de mama não é fácil, mas enfrentar a doença e encontrar a cura é um processo possível, e que pode ser um pouco mais leve com o apoio de que está disponível para ajudar. Veja onde buscar apoio emocional e psicológico:

Associação Cearense das Mastectomizadas – Toque de Vida

Uma organização sem fins lucrativos que existe há 27 anos, em Fortaleza, e apoia mulheres mastectomizadas e/ou que se encontram em tratamento contra o câncer de mama. A entidade desenvolve ainda ações de atenção à saúde mamária e de combate ao câncer de mama, atendendo cerca de 200 mulheres por mês. Banco de perucas, de lenços, sutiãs, maiôs, saída de banho, tudo voltado para mastectomizadas, apoio emocional para convencimento de mulheres que têm medo do tratamento.

Associação Nossa Casa

A Associação Nossa Casa de Apoio a Pessoas com Câncer é uma organização sem fins lucrativos, fundada em 2004 e reconhecida de utilidade pública, estadual, possui o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social – CEBAS. A missão é oferecer serviços humanizados e especializados na Assistência Social e Saúde para pessoas com câncer do interior do estado e que não têm onde ficar durante o tratamento o em Fortaleza. Também são desenvolvidas ações de prevenção e informação junto à comunidade, chegando a atender cerca de 500 pessoas por mês.

Casa Vida – ICC

  • Rodolfo Teófilo, Fortaleza – CE
  • (85) 3288-4671 @casavidaicc

A Casa Vida, do ICC, acolhe pessoas do interior do Ceará que vem à Capital para fazer tratamento oncológico no Hospital Haroldo Juaçaba e que não têm onde ficar. Oferece hospedagem e refeições diárias, e também afeto, com ações sociais e oficinas, entre outras atividades. Tem capacidade para atender 3.600 pessoas por mês.

Instituto Roda da Vida

O Instituto Roda da Vida é uma associação sem fins lucrativos que oferece Medicina Integrativa e Educação em Oncologia para pessoas com câncer, profissionais de saúde, familiares e cuidadores. A Medicina Integrativa do Instituto utiliza técnicas como: meditação, yoga, reiki, biodança, medicina chinesa, homeopatia, medicina ayurvédica; como auxiliares no tratamento convencional do câncer. As práticas são oferecidas gratuitamente por profissionais voluntários. São realizados cerca de 120 atendimentos por mês.

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