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Ícone da moda nos anos 1980, Cabeto lembra trajetória e desfiles no meio da rua

12 jun 2021 | Moda

Por Redação

Sempre pioneiro, foi responsável por organizar, com amigos, a primeira feira hippie de Fortaleza, na Praia de Iracema, nos anos 1970. (Foto: Alex Campêlo)

Caetano Veloso, Elba Ramalho, Emílio Santiago, Hermengarda Santana, Fagner, Xand Avião, Kátia Cilene e muitas outras personalidades têm em comum, além da fama, o fato de já terem vestido peças assinadas pelo consagrado estilista Carlos Alberto Castelo Branco de Carvalho, o Cabeto. Natural de Luzilândia, interior do Piauí, o “estilista com alma de artista”, como ele próprio se define, desde criança, escolhia os próprios tecidos que seriam usados para confeccionar suas roupas na loja do tio, e hoje, aos 71 anos “em plena forma”, assina páginas importantes na história da moda brasileira.

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Filho de Raimundo Nonato de Carvalho e Maria do Rosário Castelo Branco, Cabeto e os três irmãos vieram para Fortaleza receber melhor educação. Entretanto, apesar de cursar Administração e responder às expectativas familiares até certa idade, ele sempre gostou mesmo foi de moda. A paixão começou, de fato, ao descobrir o dom de artesão. Sempre pioneiro, foi responsável por organizar, com amigos, a primeira feira hippie de Fortaleza, na Praia de Iracema, nos anos 1970.

“Sempre fazia sapatos e sandálias, aprendi com um amigo, e percebi ter talento. Estava sempre vendendo, foi quando comecei a fazer tamancos de madeira, bolsas e mochilas, até abrir a mente e começar a fazer, também, sandálias de couro. Acabei abrindo um ateliê e montamos a primeira feira hippie de Fortaleza. Naquela época, não tinha mais do que cinco artesãos em Fortaleza”, relembra Cabeto.  

Início da carreira

O ofício de artesão despertou nele, também, o amor pelos tecidos, e foi quando iniciou o trabalho com estilismo e moda. “Comecei a trabalhar nos anos 1970, e não existia comércio nenhum na Aldeota. Eu comprava tecido na Praça do Ferreira. Lembro de dois figurinistas no Armazém do Sul e na Esplanada, mas eles faziam roupas para o Carnaval. Sou o primeiro estilista da cidade”, atesta.

O primeiro desfile assinado por Cabeto, em Fortaleza, aconteceu em frente à loja dele, na Rua Monsenhor Bruno, e precisou de autorização da prefeitura. (Foto: Alex Campêlo)

O primeiro desfile que Cabeto assinou é relembrado por ele como uma das histórias mais icônicas da carreira na moda. “Foi em 1980, estava recém-chegado da Europa, não havia estrutura para fazer fashion show em Fortaleza. Pedi autorização da prefeitura e fechei a rua. Ali, na porta da minha loja na Monsenhor Bruno, coloquei iluminação artificial com refletores de jardim presos no asfalto com parafusos. Já o aparelho de som era bem caseiro com duas caixas bem grandes. Eu mesmo fiz a seleção das músicas que tocaram no desfile, mas foi um amigo quem gravou. O desfile foi maravilhoso, as roupas tinham tudo a ver com as músicas. Os modelos maravilhosos desempenharam um papel maravilhoso com o estilo de cada roupa”, lembra, orgulhoso. 

Currículo de ‘vidas passadas’

“Nasci artista, mas só com 20 anos descobri querer ser estilista. Aos 25, fui morar na Europa, passei por Londres, Paris, Milão e Roma. Essa foi minha pós-graduação, na escola da vida”, lembra o estilista sobre a empreitada internacional. O aprendizado sobre fashion street, diz Cabeto, foi nas ruas e depósitos de moda europeus. “Em Fortaleza, já dei até palestra em faculdades, mas não tenho formação universitária. A minha especialização foi nas coxias da Europa, a arte vem de vidas passadas”, conta. 

O talento para criar sapatos e sandálias foi aprimorado a partir do contato com um amigo artesão. (Foto: Alex Campêlo)

Quando morava em Londres, conta o estilista, ele trabalhou como vendedor para comprar tecidos. “Certa vez comprei uma toalha de cinco metros de banquete maravilhosa para aplicar em vestidos de noivas, foi um presente que comprei para minha mãe, depois a toalha foi se rasgando e viraram vestidos incríveis”, relembra. 

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No currículo, o artista de moda atemporal coleciona estampas exclusivas, vestidos de noiva, roupas para crianças, ternos de alfaiataria masculina e muitos vestidos de festa. “Vesti muitos noivos e noivas, e fiz decoração de mesas, porque em 1982, não havia esse tipo de serviço. Fazia toda a decoração com flores e gaiolas, uma coisa linda”, ressalta. 

“Separar o Cabeto pessoa física e o Cabeto estilista é impossível, porque eu durmo e sonho com a moda”, atesta. Mesmo com o ateliê fechado, ele garante que está longe de se aposentar, e continua recebendo encomendas especiais e costurando. “Eu preciso trabalhar, preciso me ocupar, por isso que eu cuido de ambientações, decorações, às vezes, trabalho o dia inteiro costurando. Quero continuar vivenciando a moda, porque está no meu sangue, é uma coisa que vem de vidas passadas, sempre fui artista”.

Cabeto em ensaio fotográfico de Nicolas Gondim

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